Clima esquenta: oposição articula nova CPI na Assembleia às vésperas da eleição"

Global News Space 08/07/2026 12:32

A poucos meses do período eleitoral, a oposição na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) intensifica a pressão sobre o governo de Otaviano Pivetta (Republicanos) com a articulação para instaurar a CPI dos Consignados. O requerimento já reúne seis assinaturas e precisa de apenas mais duas para ser oficialmente protocolado e lido em plenário, o que pode ocorrer ainda nesta quarta-feira (8).

Segundo informações obtidas pela reportagem, o documento começou a circular na semana passada com as assinaturas dos deputados Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT), Wilson Santos (PSD) e da deputada Janaina Riva (MDB). Outros dois parlamentares também teriam aderido à proposta, embora seus nomes ainda não tenham sido divulgados.

A movimentação surpreendeu a base governista e deve provocar uma intensa articulação nos bastidores para impedir a instalação da comissão. O cenário lembra o ocorrido em fevereiro, quando a oposição conseguiu reunir apoio suficiente para criar a CPI da Saúde.

Além do apoio de parlamentares, a proposta conta com o respaldo de entidades sindicais, que lançaram um abaixo-assinado em defesa da investigação. A estratégia é ampliar a pressão sobre os deputados justamente em um momento de maior sensibilidade política, às vésperas das eleições.

O foco da investigação são os empréstimos consignados nas modalidades cartão-benefício e cartão de crédito. Das 25 instituições financeiras que estão sob apuração interna pelo governo estadual, 19 já tiveram a cobrança suspensa em algum momento por decisão da própria administração.

A iniciativa também ganha força após a divulgação, pela imprensa nacional, de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria aberto uma investigação para apurar um suposto favorecimento ao Banco Master em 2023, relacionado à edição de decretos que autorizaram instituições financeiras a oferecer crédito consignado nessas modalidades aos servidores públicos estaduais.

O ex-governador Mauro Mendes (União) nega qualquer irregularidade e afirma que a divulgação da investigação tem motivação política, classificando o episódio como uma retaliação eleitoral diante de sua pré-candidatura ao Senado.

Não é a primeira vez que o tema chega à Assembleia. No ano passado, tentativas de criar a CPI dos Consignados, assim como as CPIs do Meio Ambiente e do acordo de R$ 308 milhões da Oi S.A., não avançaram por falta de apoio.

Enquanto isso, uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra empresas e instituições financeiras que operam empréstimos consignados no Estado permanece suspensa por decisão judicial.

Com a possibilidade de a CPI ser instalada ainda nesta semana, o assunto promete dominar os debates na Assembleia Legislativa e acirrar o embate político em Mato Grosso durante o período pré-eleitoral.