Lúdio diz que Mauro deixou Governo sem entregar BRT prometido para 2022 por R$ 430 milhões

Global News Space 14/07/2026 14:20

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) afirmou que o ex-governador Mauro Mendes (União) encerrou quase oito anos de gestão sem cumprir a promessa de entregar o BRT de Cuiabá e Várzea Grande até dezembro de 2022, ao custo de R$ 430 milhões. A declaração foi dada na manhã desta segunda-feira (13.07), em entrevista à imprensa após audiência de convocação da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras do modal.

Segundo Lúdio, o compromisso assumido pelo grupo político que governa Mato Grosso não será cumprido e, mesmo diante do novo cronograma apresentado pela Sinfra, a expectativa é de que nem o primeiro trecho esteja concluído até o fim deste ano.

“O compromisso feito pelo grupo que governa Mato Grosso hoje, pelo ex-governador Mauro Mendes e pelo atual governador Otaviano Pivetta, que se comprometeram a entregar o BRT em dezembro de 2022, todo o BRT, todos os trechos, do aeroporto até o final da Avenida do CPA, toda a Fernando Corrêa, Getúlio Vargas e Prainha, esse compromisso não será cumprido. E, se for, apenas o primeiro trecho estará entregue, se os prazos estabelecidos hoje forem cumpridos, o que, infelizmente, a leitura que nós temos é que não serão.”

Ao reforçar a crítica, o parlamentar lembrou que o anúncio da troca do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo Bus Rapid Transit (BRT) foi feito em 2020, com prazo de conclusão de dois anos. Entretanto, passados quase quatro anos da data prometida, a obra segue inacabada.

“O governador Mauro Mendes tomou a decisão de fazer o BRT em 2020 e disse que até dezembro de 2022 a obra estaria entregue para a população ao custo de R$ 430 milhões. Nós já estamos em julho de 2026 e isso não aconteceu.”

Para Lúdio, o atraso também impactou diretamente o custo do empreendimento. Segundo a estimativa apresentada por ele durante a audiência, o valor total da obra poderá mais que dobrar em relação ao anunciado inicialmente.

“Apenas um dos trechos está em construção e não estará concluído até dezembro de 2026. A estimativa que nós fizemos hoje, aqui na audiência, é de que essa obra alcançará R$ 1 bilhão.”

O deputado também demonstrou preocupação com o futuro da etapa prevista para a avenida Fernando Corrêa da Costa. Conforme as informações apresentadas pela própria Sinfra durante a audiência, esse trecho ainda não foi licitado, o que, na avaliação do parlamentar, pode fazer com que a execução fique sob responsabilidade da próxima gestão estadual.

Apesar disso, Lúdio defendeu que o projeto seja executado integralmente, conforme os estudos que embasaram sua implantação.

“Nós só teremos solução para os problemas de mobilidade urbana em Cuiabá e Várzea Grande. Se há estudo realizado e uma previsão estabelecida, ela tem que ser cumprida.”

Questionado se via indícios de favorecimento ou irregularidades nas sucessivas contratações da empresa responsável pelas obras, Lúdio descartou essa hipótese. Segundo ele, sua principal preocupação está no andamento do empreendimento e no descumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo do Estado.

“De forma alguma. Nossa preocupação é com o andamento das obras e com o cumprimento da palavra.”

O parlamentar, no entanto, criticou o fato de a Sinfra não ter colocado em prática a estratégia inicialmente anunciada para acelerar a execução do modal. Conforme lembrou, a Secretaria havia informado que os serviços seriam divididos entre empresas especializadas, mas, na prática, isso não ocorreu.

“O que a Sinfra se comprometeu foi fracionar para que várias empresas especializadas, cada uma em uma área, executassem as obras para que elas fossem concluídas o mais rapidamente possível. Infelizmente, isso não aconteceu e apenas uma empresa, seja ela qual for, está com a responsabilidade de construir todas as etapas da obra.”

Sobre as novas intervenções realizadas na avenida da Feb e na avenida João Ponce de Arruda, em Várzea Grande, onde trechos recém-concluídos voltaram a ser rompidos, Lúdio afirmou que eventuais correções não podem gerar novos custos aos cofres públicos.

“A empresa responsável pela execução da obra tem que arcar com qualquer custo de serviço mal feito que precise ser refeito. Isso é responsabilidade de quem está executando a obra.”

Ao final da entrevista, o deputado também comentou a futura operação do sistema e afirmou que o Governo ainda terá outro desafio pela frente: a aquisição da frota que atenderá o BRT.

“Essa é outra novela. Vamos lutar para que as obras sejam concluídas e nós vamos monitorar a operação do BRT quando ele entrar em funcionamento. Tem que ter nova licitação e nós temos que ter veículos novos, modernos, elétricos, para atender a população com dignidade.”