Assassino confesso de Renato Nery é condenado a 33 anos

Global News Space 16/07/2026 12:39

O montador de móveis Alex Roberto de Queiroz Silva, réu confesso pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery, foi condenado a 33 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá. A sentença foi proferida nessa quarta-feira (15.07) pelo juiz Marcos Faleiros após os jurados reconhecerem sua participação nos crimes de homicídio qualificado, fraude processual e organização criminosa. Alex foi absolvido apenas da acusação de abuso de autoridade.

Além da pena de reclusão, o condenado deverá permanecer preso e pagar indenização de R$ 64.840,00 mil - equivalente a 40 salários mínimos aos familiares da vítima. Ele foi o primeiro dos seis denunciados no caso a ser submetido a julgamento.

Durante o interrogatório realizado nessa quarta, Alex admitiu ter executado Renato Nery em julho de 2024 e afirmou que recebeu quase R$ 100 mil pelo crime. Segundo seu relato, a decisão de matar o advogado ocorreu em meio a dificuldades financeiras e ameaças de agiotas.

De acordo com o réu, a proposta surgiu durante um churrasco realizado em 4 de julho de 2024, quando o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira teria comentado que havia uma pessoa interessada em pagar R$ 200 mil pela morte do advogado.

“Eu estava passando por dificuldades financeiras, sendo ameaçado por agiotas, e minha família também. Ouvi o comentário e tomei a decisão sozinho”, declarou aos jurados.

Alex afirmou que utilizou uma pistola Glock alugada por R$ 1,5 mil de um homem conhecido como “Rampa”, apontado por ele como integrante da facção criminosa Comando Vermelho. Segundo o acusado, a arma foi devolvida após o homicídio.

O réu também confessou ter destruído provas da execução. Ele relatou que queimou roupas, capacete e outros objetos utilizados no crime para eliminar vestígios. Também admitiu ter trocado de aparelho celular diversas vezes durante o período das investigações.

Conforme as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), Alex teria monitorado a rotina da vítima antes da execução e contado com apoio de policiais militares para planejar e executar o homicídio. A acusação sustenta que a arma utilizada no assassinato possuía ligação com policiais investigados e teria sido inserida posteriormente em um suposto confronto policial para ocultar sua utilização no crime.

Segundo a denúncia, o assassinato de Renato Nery foi encomendado em razão de uma disputa envolvendo a Fazenda Atlântida, localizada em Novo São Joaquim, propriedade avaliada em cerca de R$ 70 milhões. O Ministério Público aponta que os empresários Julinere Goulart Bastos e Cesar Jorge Sechi seriam os mandantes do crime, motivados por interesses econômicos relacionados à área rural.

A acusação sustenta ainda que o homicídio foi planejado, financiado e executado mediante pagamento de aproximadamente R$ 200 mil, tendo como intermediadores os policiais militares investigados no caso.

Durante o julgamento, o Ministério Público apresentou provas periciais, registros telefônicos, pesquisas realizadas na internet pelo acusado e depoimentos de testemunhas para sustentar a tese de crime encomendado e praticado mediante organização criminosa.

Com a condenação de Alex Roberto de Queiroz Silva, o processo avança para o julgamento dos demais acusados apontados como participantes da trama que resultou na morte do advogado Renato Gomes Nery.