Lula deixa discurso na ONU em aberto para calibrar resposta aos EUA Presidente defenderá soberania e democracia, mas texto poderá ser ajustado para reagir a novas sanções dos EUA
A atual crise, com o tarifaço americano de 50% a produtos brasileiros e sanções contra autoridades brasileiras, é considerada a pior em mais de 200 anos de relações bilaterais.
Bolsonaristas já esperavam que novas medidas fosse anunciadas enquanto Lula estivesse em Nova York. O presidente brasileiro tem volta prevista a Brasília na noite de quarta-feira (24).
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse em entrevista à Fox News que o estado de direito está se rompendo no Brasil após a condenação de Bolsonaro. Ele sinalizou que os EUA poderão anunciar medidas adicionais contra o Brasil na próxima semana.
"Haverá uma resposta dos EUA a isso, e é sobre isso que teremos alguns anúncios na próxima semana ou mais sobre quais passos adicionais pretendemos tomar", disse.
Lula subirá ao púlpito da ONU para, mais uma vez, defender a soberania e a democracia brasileira, alvos de ataques da gestão Trump. Porém, deverá evitar citá-lo nominalmente.
O brasileiro falará minutos antes do presidente americano, cujo discurso é considerado imprevisível, na sua primeira participação depois de retornar à Casa Branca em uma versão mais agressiva.
Para diplomatas brasileiros, a grande incógnita é se o republicano usará seu espaço para mencionar o Brasil e Jair Bolsonaro (PL). A menção — ou não — indicará a dimensão que a condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses por tramar um golpe de Estado terá, de fato, para os Estados Unidos.
Nos bastidores da ONU, até há a possibilidade de Lula e Trump se esbarrarem nos corredores. Assessores da Presidência avaliam que, no máximo, pode haver um aperto de mãos. Porém, mesmo isso é incerto, e menos ainda uma conversa substancial, já que os dois se revezarão no púlpito.
Lula não pediu agenda com Trump, nem a Casa Branca sinalizou interesse em um encontro com o Brasil. Ainda assim, interlocutores do presidente dizem que, caso ocorra, ele não se furtará a um cumprimento.
Em meio às sanções ao Brasil, os Estados Unidos foram excluídos da segunda edição do evento "Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo". O encontro será realizado na próxima quarta-feira (24), em Nova York, às margens da Assembleia Geral da ONU.
A decisão de não convidar Washington foi tomada pelo Brasil em conjunto com aliados. O evento é articulado por Lula, em parceria com os presidentes do Chile, Gabriel Boric, da Espanha, Pedro Sánchez, da Colômbia, Gustavo Petro, e do Uruguai, Yamandú Orsi. A expectativa é reunir representantes de cerca de 30 países.
No ano passado, ainda sob a gestão do democrata Joe Biden, os EUA foram convidados para a primeira edição do fórum e enviaram um representante do Departamento de Estado.
A justificativa é de que ações dos Estados Unidos sob Trump não cabem em um evento que faz a defesa da democracia e busca uma articulação contra o extremismo no mundo. Principalmente em um momento em que Washington questiona a democracia brasileira e ataca instituições, como o sistema eleitoral e o Judiciário.
Na avaliação do governo Lula, o convite aos americanos seria uma incoerência em meio às tensões entre os dois países, que vêm se agravando desde julho.
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A atual crise, com o tarifaço americano de 50% a produtos brasileiros e sanções contra autoridades brasileiras, é considerada a pior em mais de 200 anos de relações bilaterais.
Bolsonaristas já esperavam que novas medidas fosse anunciadas enquanto Lula estivesse em Nova York. O presidente brasileiro tem volta prevista a Brasília na noite de quarta-feira (24).
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse em entrevista à Fox News que o estado de direito está se rompendo no Brasil após a condenação de Bolsonaro. Ele sinalizou que os EUA poderão anunciar medidas adicionais contra o Brasil na próxima semana.
"Haverá uma resposta dos EUA a isso, e é sobre isso que teremos alguns anúncios na próxima semana ou mais sobre quais passos adicionais pretendemos tomar", disse.
Lula subirá ao púlpito da ONU para, mais uma vez, defender a soberania e a democracia brasileira, alvos de ataques da gestão Trump. Porém, deverá evitar citá-lo nominalmente.
O brasileiro falará minutos antes do presidente americano, cujo discurso é considerado imprevisível, na sua primeira participação depois de retornar à Casa Branca em uma versão mais agressiva.
Para diplomatas brasileiros, a grande incógnita é se o republicano usará seu espaço para mencionar o Brasil e Jair Bolsonaro (PL). A menção — ou não — indicará a dimensão que a condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses por tramar um golpe de Estado terá, de fato, para os Estados Unidos.
Nos bastidores da ONU, até há a possibilidade de Lula e Trump se esbarrarem nos corredores. Assessores da Presidência avaliam que, no máximo, pode haver um aperto de mãos. Porém, mesmo isso é incerto, e menos ainda uma conversa substancial, já que os dois se revezarão no púlpito.
Lula não pediu agenda com Trump, nem a Casa Branca sinalizou interesse em um encontro com o Brasil. Ainda assim, interlocutores do presidente dizem que, caso ocorra, ele não se furtará a um cumprimento.
Em meio às sanções ao Brasil, os Estados Unidos foram excluídos da segunda edição do evento "Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo". O encontro será realizado na próxima quarta-feira (24), em Nova York, às margens da Assembleia Geral da ONU.
A decisão de não convidar Washington foi tomada pelo Brasil em conjunto com aliados. O evento é articulado por Lula, em parceria com os presidentes do Chile, Gabriel Boric, da Espanha, Pedro Sánchez, da Colômbia, Gustavo Petro, e do Uruguai, Yamandú Orsi. A expectativa é reunir representantes de cerca de 30 países.
No ano passado, ainda sob a gestão do democrata Joe Biden, os EUA foram convidados para a primeira edição do fórum e enviaram um representante do Departamento de Estado.
A justificativa é de que ações dos Estados Unidos sob Trump não cabem em um evento que faz a defesa da democracia e busca uma articulação contra o extremismo no mundo. Principalmente em um momento em que Washington questiona a democracia brasileira e ataca instituições, como o sistema eleitoral e o Judiciário.
Na avaliação do governo Lula, o convite aos americanos seria uma incoerência em meio às tensões entre os dois países, que vêm se agravando desde julho.
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