Mesmo com oferta de R$ 48 milhões, deputado defende gestão estatal da Santa Casa Dr. João afirma que gestão pública garante maior controle, apesar de oferta superior da iniciativa privada

Global News Space 25/03/2026 14:54

Mesmo com uma proposta R$ 18 milhões maior da iniciativa privada, o deputado estadual Dr. João (MDB) defendeu, na manhã desta quarta-feira (25.03), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que o Governo do Estado assuma o prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, atualmente em processo de leilão judicial.

A declaração ocorre em meio à disputa entre o Governo do Estado, que formalizou proposta de R$ 30 milhões à vista, e o Instituto Evangelístico São Marcos, que elevou sua oferta para R$ 48 milhões, com pagamento parcelado.

Segundo o parlamentar, mesmo diante de uma proposta financeira maior da iniciativa privada, a gestão pública garante mais segurança e controle sobre o funcionamento da unidade hospitalar.

“Eu acho que é muito mais fácil, melhor para a população, para todo mundo, o Governo assumir isso aí. Tem empresa que você não sabe o que vai acontecer. Você não tem gerência sobre tudo o que está acontecendo”, afirmou.

Dr. João também indicou que a tendência é de que o Estado mantenha a proposta e avance na negociação. “O Governo, com certeza, não deve voltar atrás. Eu acredito que vai assumir”, declarou.

O imóvel da Santa Casa está sendo vendido para pagamento de dívidas trabalhistas e a decisão final depende da manifestação dos credores e da análise da Justiça do Trabalho. A juíza responsável pelo caso, Eliane Xavier de Alcântara, determinou prazo de cinco dias para posicionamento da comissão de credores sobre a nova proposta apresentada pela iniciativa privada.

Caso a proposta do Governo seja aceita, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) prevê transformar a unidade em um hospital público voltado a serviços especializados.

O plano inclui a implantação de 196 leitos, sendo 70 para home care, 40 destinados a cuidados paliativos, 30 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 20 de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) e 36 leitos cirúrgicos.

Saúde em alerta

Durante a entrevista, o deputado também comentou a possível desestruturação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Mato Grosso.

Ele classificou como “absurda” qualquer medida que fragilize o serviço e afirmou que irá acionar a Comissão de Saúde da ALMT para apurar a situação.

“Fragilizar o Samu não pode. Em vez de melhorar a proteção da população, vai diminuir”, declarou.

O parlamentar ainda defendeu maior integração entre os serviços de emergência, citando como exemplo o modelo adotado em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, onde Samu e Corpo de Bombeiros atuam de forma conjunta.

Hospital do Câncer

Dr. João também comentou a situação financeira do Hospital de Câncer de Mato Grosso e afirmou que há expectativa de melhora após decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

Segundo ele, foi aprovado um mecanismo que permite o adiantamento de recursos para garantir o funcionamento da unidade. “Isso deve melhorar a situação”, disse.

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