Abilio Brunini nega interferência, mas admite “palpites” na eleição da Câmara O prefeito citou, como exemplo desse “efeito colateral”, a insatisfação do vereador Dilemário

Global News Space 15/04/2026 13:24

Em meio às articulações para a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini tentou se afastar do rótulo de interferência política, mas acabou admitindo que suas declarações públicas têm impacto direto no ambiente interno do Legislativo. A fala ocorreu nesta terça-feira (14.04), durante o Fórum Economia e Desenvolvimento Institucional, após questionamentos sobre a possível reeleição da presidente Paula Calil.

O tema ganhou força após o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), afirmar que o prefeito não deveria se envolver na escolha da Mesa Diretora — lembrando, inclusive, que, quando esteve à frente da Prefeitura de Jaciara, evitou esse tipo de atuação.

Diante da provocação, Abilio adotou um discurso de cautela, mas não negou completamente sua influência. “Eu não me envolvo. Quem escolhe são os vereadores. Eu não voto. Eu só dou sugestões. Falo mais pela imprensa do que com os próprios vereadores”, afirmou.

Na sequência, ele próprio reconheceu que essas manifestações acabam reverberando dentro da Câmara. “Às vezes o meu palpite na imprensa acaba influenciando algumas discussões lá. Inclusive gera até desconforto para mim”, completou.

O prefeito citou, como exemplo desse “efeito colateral”, a insatisfação do vereador Dilemário Alencar (União), que, segundo ele, ficou incomodado com uma declaração recente sobre o processo de escolha da Mesa.

Ao tentar reforçar o argumento de que não interfere diretamente, Abilio mencionou a eleição anterior da Câmara, quando houve, pela primeira vez, uma composição 100% feminina na Mesa Diretora.

“Se alguém falar que eu me envolvo, então vão ter que falar que eu ajudei a fazer uma mesa 100% feminina. Eu fiz isso? Lógico que não”, disse, afastando qualquer protagonismo.

Apesar do esforço em se colocar como observador, o prefeito voltou a emitir opinião sobre o cenário atual, ao defender — ainda que de forma indireta — a permanência de Paula Calil no comando da Casa.

“Seria muito bom que nós tivéssemos, pela primeira vez na história do município de Cuiabá, uma presidente mulher reeleita”, declarou.

Questionado de forma direta se pretende atuar para viabilizar essa reeleição, Abilio recorreu ao argumento institucional para limitar sua atuação. “Só se eu virar vereador para votar. O que eu posso fazer é sugerir, conversar, dar palpite. Mas a decisão é deles”, afirmou.

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a possibilidade de alteração no regimento interno ou na Lei Orgânica do Município para permitir a reeleição dentro da mesma legislatura — tema que já circula nos bastidores da Câmara.

Sobre isso, o prefeito evitou se aprofundar, mas indicou que a articulação já estaria em andamento entre os parlamentares. “Isso pode ser feito por eles e precisa de 19 votos. E um dos candidatos falou que já tem 20. Então, como vai fazer?”, disse, em tom de dúvida.