Júlio diz que Mauro Mendes pode ficar sem candidatura se não apoiar Jayme Campos Deputado afirma que grupo ligado ao senador controla maioria da convenção do União

Global News Space 03/06/2026 16:01

O deputado estadual Júlio Campos (União) afirmou nesta quarta-feira (03.06) que o ex-governador Mauro Mendes (União) corre o risco de não ter sua candidatura ao Senado homologada pelo União Brasil caso trabalhe contra o projeto do senador Jayme Campos (União) para disputar o Governo de Mato Grosso em 2026. Segundo o parlamentar, o grupo político ligado a Jayme possui maioria entre os convencionais da sigla e terá papel decisivo nas definições partidárias.

Durante entrevista à imprensa, Júlio declarou que Mauro Mendes precisará do apoio dos mesmos convencionais que defendem a candidatura própria de Jayme para garantir espaço na chapa majoritária. "Para o Mauro Mendes ser candidato ao Senado, ele tem que ter os nossos votos. Os 35 convencionais que defendem a candidatura própria do Jayme Campos", afirmou.

O deputado foi além ao comentar um eventual cenário em que Mauro apoie outro projeto para a sucessão estadual, especialmente uma candidatura ligada ao ex-vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

"Se ele insistir em querer prejudicar a candidatura do Jayme Campos, ele não vai ser o candidato ao Senado do União Brasil. Nós vamos derrotá-lo na convenção e vai ter outro candidato dentro do partido", declarou.

A declaração ocorre em meio às articulações para a formação da chapa que disputará o Governo do Estado e o Senado em outubro de 2026. Embora Mauro Mendes seja apontado como principal nome do grupo governista para o Senado, Jayme Campos mantém a pré-candidatura ao Palácio Paiaguás e conta com apoio expressivo dentro da estrutura partidária do União Brasil.

Após mandar o recado ao ex-governador, Júlio procurou demonstrar confiança na força política do grupo liderado por Jayme dentro da legenda. Segundo ele, dos 52 convencionais aptos a participar da convenção estadual do partido, 35 estariam alinhados ao projeto de candidatura própria ao governo.

De acordo com o parlamentar, esse cenário garante vantagem ao grupo nas discussões internas e nas futuras deliberações sobre a formação da chapa majoritária. "A disputa interna é controlada. Nós não queríamos que tivesse essa disputa porque qualquer disputa radicaliza o processo", afirmou.

Júlio explicou que o União Brasil realizará sua própria convenção partidária antes das definições da federação formada com o Progressistas (PP). Segundo ele, cada partido precisa homologar seus candidatos internamente antes que a federação faça as composições eleitorais.

"O União Brasil faz a sua convenção e o Progressistas faz a dele. O partido até agora só tem previsto um pré-candidato ao Governo, que é o senador Jayme Campos, um pré-candidato ao Senado, que é o ex-governador Mauro Mendes, além das chapas proporcionais", declarou.

Na avaliação do deputado, parte das discussões políticas atuais decorre de uma interpretação equivocada sobre o funcionamento da federação partidária. Segundo ele, a federação não elimina a autonomia das legendas nem substitui as convenções internas.

"Essa turma tem que ler o estatuto partidário. O União Brasil não acabou, apenas federalizou. A federação é para a campanha eleitoral. Para ser homologado, o candidato precisa passar primeiro pela convenção do seu partido", argumentou.

Ao defender essa tese, Júlio citou a própria disputa ao Senado como exemplo. Segundo ele, a senadora Margareth Buzetti (PP) possui legitimidade para colocar seu nome à disposição do Progressistas, assim como Mauro Mendes pode ser o nome do União Brasil.

"A Margareth pode disputar pelo PP e o Mauro pelo União Brasil. Depois a federação vai discutir a composição. Isso é natural", disse.

O deputado também argumentou que o União Brasil possui peso político suficiente para liderar as decisões da federação em Mato Grosso. Para sustentar a afirmação, apresentou números da estrutura partidária no Estado.

"Veja a diferença de forças. O União Brasil tem senador, deputados estaduais, deputado federal, cerca de 50 prefeitos e mais de 300 vereadores. O Progressistas tem uma estrutura muito menor. Então cabe a nós comandar a federação em Mato Grosso", afirmou.

Questionado sobre uma eventual derrota do grupo de Jayme e a possibilidade de recorrer à direção nacional da legenda, Júlio minimizou o cenário e voltou a demonstrar confiança na maioria que afirma possuir dentro do partido.

Segundo ele, a tendência é que a disputa seja resolvida internamente, sem necessidade de intervenção da executiva nacional. "Não acredito que será necessário chegar a isso. Tudo será decidido na convenção. Quem quiser ser candidato pelo União Brasil terá que conquistar a maioria do partido", concluiu.