Coluna Anamaria: Olinda Altomare: O silêncio da imensidão do Pantanal, na escuta pulsante da vida, - em: Eu e a fotografia!

Global News Space 01/07/2026 12:19

Oi, meus queridos-amigos-leitores! Que alegria ter vocês aqui novamente para compartilharmos mais uma história emocionante e cheia de sensibilidade.

Vocês se lembram da matéria desta segunda-feira , em que apareço com meu vestido cinza, contemplando, fascinada, uma fotografia magnífica da Via-lactea, fotografada no Pantanal? Pois bem, aquela obra de arte foi criada por uma mulher extraordinária que hoje tenho a honra de trazer para o centro dos nossos holofotes. 

Depois de vermos o mundo através dos olhos dela na fotografia, chegou a vez de conhecermos a sua alma por trás das lentes. Olinda Altomare abre o coração em um relato comovente, sincero e "  fotográfico " - sobre como descobriu na fotografia um refúgio de cura, presença e conexão profunda com a vida.  Preparem-se para se encantar e se emocionar: 

"A fotografia entrou na minha vida muito antes de eu imaginar que um dia ela se tornaria parte da minha própria essência. Ainda criança, observava meu pai cuidar com carinho de sua antiga máquina fotográfica — daquelas de sanfona, que pareciam guardar não apenas imagens, mas histórias inteiras dentro delas. Eu não compreendia a técnica, mas me encantava o ritual. Havia algo de mágico naquele gesto de eternizar um instante antes que ele desaparecesse para sempre.

A vida, no entanto, seguiu outros caminhos. A profissão que escolhi me presenteou com o privilégio de servir à sociedade, mas também me impôs uma rotina de intensa responsabilidade, decisões difíceis e um trabalho que, por sua própria natureza, muitas vezes é silencioso e solitário. Em determinado momento, senti que precisava reencontrar um espaço onde fosse possível simplesmente respirar.

Foi então que a fotografia voltou ao meu encontro.

Comecei a estudar, fiz cursos, aprender técnicas, comecei a compreender a luz, a composição e os desafios de cada imagem. Mas percebi que o verdadeiro aprendizado não estava na câmera. Estava em mim.

Fotografar a natureza e a vida selvagem transformou-se em um exercício de presença. Cada amanhecer, cada voo de uma ave, cada árvore moldada pelo vento, cada silêncio do Pantanal me ensinava que o mundo continua acontecendo independentemente da nossa vontade. Diante da imensidão da natureza, compreendi a delicada verdade de que somos pequenos, mas não insignificantes. Somos parte dessa existência universal, ligados à mesma vida que pulsa nas águas, nas matas, nos animais e no céu.

Foi essa compreensão que encontrei na madrugada em que fotografei a Via Láctea sobre o Pantanal mato-grossense.

Confesso que chegar até aquele cenário já representava, por si só, uma pequena vitória pessoal. Pouca gente sabe, mas o texto continua conectado ao topo da próxima imagem fenômeno astronômico para tornar-se uma metáfora da própria existência. Cada estrela ocupava o seu lugar, compondo uma ordem invisível que fazia sentido, ainda que não pudesse ser plenamente explicada.

Essa fotografia representa muito mais do que um céu estrelado.

Ela representa o momento em que reencontrei a mim mesma.

Representa o silêncio que cura, o ar puro que reorganiza os pensamentos, a humildade diante da imensidão do universo e a certeza de que, quando nos permitimos parar, respirar e contemplar, descobrimos que nunca estivemos separados da natureza. Somos parte dela. Sempre fomos.

Desde então, cada fotografia que produzo carrega um pouco dessa experiência. Não fotografo apenas paisagens ou animais. Procuro registrar aquilo que muitas vezes passa despercebido: a beleza silenciosa da vida, capaz de nos lembrar quem somos quando o mundo nos faz esquecer."

... por Olinda Altomare | Eternalente.