Governo Lula apresenta proposta para evitar tarifa de 25% dos EUA Tarifa de até 37,5% preocupa exportadores e mobiliza governo brasileiro
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou nessa quinta-feira (02.07) uma proposta formal de negociação para tentar barrar a tarifa de 25% que os Estados Unidos ameaça impor sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais consideradas desleais.
A proposta, chamada de “mapa do caminho”, foi entregue durante reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O conteúdo do documento, no entanto, permanece sob sigilo.
A ofensiva brasileira ocorre em um momento decisivo. As tarifas ainda não entraram em vigor, mas a definição está nas mãos do presidente norte-americano Donald Trump, que deverá anunciar em 15 de julho se aplicará ou não as sanções comerciais contra o Brasil.
Em nota oficial, Márcio Elias Rosa afirmou que o encontro foi o quarto realizado diretamente com Greer desde maio e destacou que as negociações atendem à orientação estabelecida pelos presidentes Lula e Trump durante reunião realizada em 07 de maio.
Segundo o ministro, os dois países seguem discutindo alternativas para solucionar divergências em seis áreas consideradas sensíveis pelos norte-americanos: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
“O diálogo tem sido construtivo e mais tempo será necessário para detalhar propostas e aproximar posições”, afirmou o ministro.
As equipes técnicas dos dois governos voltarão a se reunir no início da próxima semana para preparar uma nova rodada de negociações antes da data-limite estabelecida pelos Estados Unidos.
Tarifas podem ultrapassar 37%
O Brasil enfrenta duas frentes de investigação conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
A principal prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação aberta em 15 de julho de 2025 por supostas práticas desleais de comércio.
Além disso, outra investigação global conduzida pelo órgão norte-americano propõe uma sobretaxa de 12,5% sobre países que não adotariam medidas suficientes para restringir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado ou em condições análogas à escravidão.
Somadas, as duas medidas poderiam elevar significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano, afetando setores exportadores estratégicos da economia nacional.
Consulta pública
Antes de decidir sobre a aplicação das sanções, o governo dos Estados Unidos abriu uma consulta pública sobre o caso brasileiro. Empresas, entidades e cidadãos poderão enviar manifestações até o próximo dia 6 de julho.
Já em 7 de julho será realizada uma audiência pública para discutir as medidas propostas. Após essa etapa, caberá a Donald Trump decidir se mantém, reduz ou cancela as tarifas sugeridas pelo USTR.