Governo confirma tentativa de ataque hacker, mas nega desvio de R$ 500 milhões

Global News Space 09/07/2026 14:25

O Governo de Mato Grosso confirmou que houve uma tentativa de invasão aos sistemas financeiros do Estado no dia 28 de junho, mas negou que o episódio tenha causado qualquer prejuízo aos cofres públicos. A informação foi divulgada em nota conjunta da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI), no final da tarde dessa quarta-feira (09.07).

A confirmação ocorre após o tema ser levado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), quando o deputado estadual Wilson Santos (PSD) afirmou ter recebido a informação de que hackers teriam realizado uma nova invasão aos sistemas estaduais na mesma data e desviado aproximadamente R$ 500 milhões.

Segundo a nota, as equipes técnicas da Sefaz e da MTI identificaram uma ordem de pagamento atípica, encaminhada à instituição bancária em 28 de junho, e realizaram o bloqueio imediato da operação.

Conforme o Governo, a tentativa de fraude foi interrompida antes que qualquer transferência fosse efetivada. "A ação foi contida na origem e não gerou nenhum tipo de perda financeira ou ônus ao erário do Estado", informa o comunicado.

Ainda de acordo com a nota, o ponto de vulnerabilidade explorado pelos criminosos foi desativado imediatamente após a identificação da tentativa de invasão. Os ambientes do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças do Estado (Fiplan) foram isolados, revisados e reconfigurados, mantendo os protocolos internacionais de segurança.

O Governo afirma ainda que o sistema segue operando normalmente, em ambiente seguro e monitorado, garantindo a continuidade dos pagamentos e das demais atividades financeiras do Estado.

As equipes técnicas da MTI e da Sefaz permanecem realizando monitoramento contínuo do ambiente digital corporativo para prevenir novas tentativas de ataques.

Declaração na CPI

A tentativa de invasão foi tema da reunião da CPI da Saúde realizada na quarta-feira (08). Durante a oitiva, o presidente da comissão, deputado Wilson Santos (PSD), afirmou ter recebido a informação de que hackers teriam invadido novamente os sistemas estaduais em 28 de junho e retirado cerca de R$ 500 milhões dos cofres públicos. Leia matéria relacionada - Wilson revela novo suposto ataque hacker de R$ 500 milhões à SES; PGE nega

"Já não tem documento nenhum para passar para a CPI, para passar para ninguém mais. E agora, uma informação muito forte, que no último dia 28 de junho hackers adentraram novamente no sistema e tiraram aproximadamente R$ 500 milhões dos cofres de Mato Grosso", declarou o parlamentar.

O procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, contestou a informação durante a própria sessão. "Não, isso não procede. Não houve essa transferência. Não existiu retirada de recursos", respondeu.

Na sequência, Wilson questionou se a Procuradoria-Geral do Estado havia identificado vulnerabilidades nos sistemas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Francisco Lopes explicou que a PGE-MT não possui atribuição para fiscalizar os sistemas de tecnologia da informação das secretarias estaduais nem acesso às plataformas utilizadas pelos órgãos.

"Isso não é atribuição da PGE. A Procuradoria não tem acesso ao sistema Fiplan nem aos sistemas das secretarias. Não temos como apontar falhas em sistemas aos quais sequer temos acesso", afirmou.

Segundo o procurador-geral, a fiscalização sobre controles internos e segurança da informação compete aos órgãos responsáveis pela auditoria e controle interno do Estado.

A investigação sobre a tentativa de invasão está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) da Polícia Civil.