ILHAS DE CALOR Dr. João propõe reflorestamento urbano para reduzir calor extremo nas cidades de Mato Grosso
ILHAS DE CALOR
Dr. João propõe reflorestamento urbano para reduzir calor extremo nas cidades de Mato Grosso
Projeto amplia programa estadual para todos os municípios, prevê mapa das ilhas de calor e ganha força em ano de alerta para El Niño.
O deputado estadual Dr. João (MDB) apresentou o Projeto de Lei nº 847/2026, que amplia o Programa de Reflorestamento Urbano para todos os municípios de Mato Grosso e inclui medidas específicas para reduzir as chamadas ilhas de calor nas cidades. A proposta altera a Lei nº 12.704/2024 e transforma a arborização urbana em instrumento de saúde pública, adaptação climática e melhoria da qualidade de vida.
O projeto ganha ainda mais relevância em um ano de alerta climático. Nota técnica conjunta de órgãos como INPE, INMET, Funceme e Censipam aponta probabilidade superior a 80% de formação do El Niño no segundo semestre de 2026, com risco de eventos climáticos extremos e impactos sobre temperatura, abastecimento de água, saúde pública e atividades produtivas. Em outros países, previsões já tratam da possibilidade de um El Niño forte ou superforte no Pacífico, com potencial para ampliar ondas de calor e extremos climáticos.
Para Dr. João, Mato Grosso precisa se antecipar aos efeitos do calor extremo, principalmente nas áreas urbanas, onde o asfalto, o concreto e a falta de árvores aumentam a sensação térmica e pioram a rotina da população.
“Mato Grosso já convive com temperaturas muito altas. Se a gente não preparar nossas cidades, quem mais sofre é a população que pega ônibus, trabalha na rua, estuda em escolas sem sombra e precisa circular em espaços públicos sem nenhuma proteção contra o calor. Arborização urbana não é enfeite. É saúde, planejamento e qualidade de vida”, afirmou o deputado.
Pelo texto, o programa passa a ter como objetivo a recuperação e ampliação das áreas verdes urbanas, com foco na conservação da biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas e redução da temperatura em áreas urbanizadas. A proposta também prevê a criação do Mapa Estadual das Ilhas de Calor Urbanas, em cooperação com municípios e instituições de pesquisa.
O projeto estabelece diretrizes para ampliar a cobertura arbórea, implantar corredores verdes em avenidas, parques, ciclovias, margens de córregos e áreas públicas, além de priorizar o entorno de escolas, hospitais, unidades de saúde, terminais de transporte coletivo e centros comunitários, locais com grande circulação de pessoas.
“A cidade precisa ser pensada para proteger as pessoas. Quando a gente fala em plantar árvores perto de escola, hospital, unidade de saúde e ponto de ônibus, estamos falando de diminuir sofrimento real. É o idoso esperando atendimento, a criança indo para a aula, o trabalhador voltando para casa. O poder público precisa olhar para isso com seriedade”, disse Dr. João.
A proposta também incentiva soluções de infraestrutura verde, como jardins de chuva, telhados verdes, paredes vegetadas e outras medidas baseadas na natureza. O acompanhamento dos resultados poderá ser feito por indicadores como percentual de cobertura arbórea, número de árvores plantadas e sobreviventes, área sombreada criada em espaços públicos, variação da temperatura superficial e redução da exposição da população às ilhas de calor.
Estudos recentes também reforçam o papel das árvores no combate ao aquecimento urbano. Levantamento publicado na revista Nature Communications analisou quase 9 mil grandes cidades e apontou que a cobertura arbórea atual neutraliza quase metade do efeito de ilha de calor urbana.
Na justificativa do projeto, Dr. João destaca que Mato Grosso registra com frequência temperaturas superiores a 40°C, especialmente no período de estiagem, e que o crescimento urbano desordenado, a impermeabilização do solo e a redução da vegetação intensificam o calor nas cidades.
Para o parlamentar, o reflorestamento urbano precisa deixar de ser uma ação pontual e passar a integrar o planejamento dos municípios, com metas, monitoramento e participação do poder público.
“Esse projeto não trata apenas de meio ambiente. Trata de saúde pública, conforto térmico e adaptação das nossas cidades a uma realidade climática cada vez mais dura. O calor extremo já está aí, e Mato Grosso precisa ter política pública para enfrentar esse problema”, completou Dr. João.
Foto: Matheus Cassimiro