A jogada de Mauro pode fortalecer Wellington e complicar Pivetta Movimento de Mauro Mendes contra Jayme Campos pode fortalecer adversários e complicar a sucessão estadual
A convenção do União Brasil pode ter produzido um efeito político muito maior do que simplesmente definir o posicionamento do partido na disputa pelo Governo de Mato Grosso. A derrota imposta ao senador Jayme Campos abriu uma ferida que dificilmente será cicatrizada no curto prazo e que tende a alterar o tabuleiro eleitoral. O embate entre Jayme Campos e Mauro Mendes já vinha sendo construído há semanas e culminou com a decisão da legenda de apoiar Otaviano Pivetta.
Nos bastidores, a avaliação é de que o maior beneficiado desse racha pode ser justamente o senador Wellington Fagundes. Caso Jayme e seu grupo político confirmem a migração para o projeto do PL, o cenário muda de patamar. Wellington ganha musculatura política sem precisar fazer grande esforço e passa a reunir condições reais de levar a disputa pelo Palácio Paiaguás para o segundo turno.
A ironia é que esse movimento foi provocado pelo próprio Mauro Mendes. Na tentativa de consolidar seu projeto político, o ex-governador pode acabar impondo dificuldades justamente ao candidato que afirma apoiar. Entre aliados, cresce a percepção de que a prioridade estaria concentrada no projeto familiar, com Mauro Mendes disputando o Senado e Virgínia Mendes a Câmara Federal, enquanto a campanha de Pivetta ficaria em segundo plano.
A insistência na indicação do deputado federal Fábio Garcia para a vice-governadoria é vista por interlocutores como parte dessa estratégia, abrindo espaço para que Virgínia Mendes dispute uma vaga na Câmara Federal sem dividir o eleitorado com outro nome competitivo.
Há, porém, um cálculo que pode não fechar. Nem todo eleitor de Fábio Garcia votaria automaticamente em Virgínia Mendes. Política não funciona por transferência mecânica de votos. Apostar nessa engenharia eleitoral pode se revelar uma estratégia de alto risco.
O clima interno ajuda a explicar o tamanho da crise. Segundo fontes do
, uma confraternização realizada na sexta-feira (31.07), no condomínio onde reside o casal Mauro e Virgínia Mendes, teve um tema predominante nas conversas: "traição". O episódio revela que o desgaste ultrapassou os corredores partidários e contaminou a própria base política.
A segunda-feira (03.08) promete ser decisiva. Ainda existe uma articulação para construir uma terceira via em torno do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi.
No entanto, a leitura predominante entre interlocutores ouvidos pelo
é de que dificilmente Max colocará em risco uma candidatura considerada sólida e promissora para embarcar em um projeto ainda cercado de incertezas. A tendência seria manter o Podemos livre para definir seu caminho ou até mesmo aproximar-se do projeto de Wellington Fagundes.
Fontes consultadas pelo
também confidenciaram que, caso a aproximação entre o grupo de Jayme Campos e o PL seja consolidada, a deputada estadual Janaína Riva desponta como um dos principais nomes para ocupar uma das vagas ao Senado em uma composição encabeçada por Wellington Fagundes. A possibilidade reforça a percepção de que o racha provocado no União Brasil pode desencadear uma ampla reorganização das forças políticas para 2026.
Se esse diagnóstico se confirmar, Mauro Mendes poderá descobrir que vencer uma convenção não significa, necessariamente, vencer uma eleição. Na política, uma vitória interna pode custar caro nas urnas. Se o desfecho for esse, a "rasteira" aplicada em Jayme Campos poderá acabar fortalecendo Wellington Fagundes, reorganizando o xadrez político e deixando a conta política para ser paga justamente por Otaviano Pivetta.