Após um ano de isolamento, prefeita de VG consegue reunir 14 vereadores Em busca de apoio, Flávia Moretti convoca reunião inédita com 14 vereadores
Depois de um ano e três meses de gestão marcados por dificuldades na articulação política, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), conseguiu pela primeira vez reunir 14 vereadores em torno da mesa. O encontro, realizado na segunda-feira (09.03), representa a tentativa mais ampla da gestora de ampliar a base e reduzir o desgaste com o Legislativo.
A dimensão política da reunião foi reforçada pelo líder da prefeita na Câmara, vereador Bruno Rios (PL), em entrevista concedida à imprensa na manhã desta terça-feira (10). Segundo ele, a prioridade foi abrir uma nova etapa de diálogo entre Prefeitura, secretariado e vereadores.
"A ideia, na verdade, é melhorar o diálogo entre a casa, entre os colegas vereadores e a gestão. Uma melhor aproximação do secretariado, uma melhor aproximação da própria prefeita em relação a isso. Discutimos questões de requerimento para melhorar em relação à atenção aos vereadores", afirmou.
Mais do que uma conversa institucional, a reunião revelou uma tentativa de reorganização política dentro da Câmara, num momento em que a gestão busca mais estabilidade para tocar projetos e reduzir ruídos com os parlamentares. Ao comentar o encontro, Bruno Rios deixou claro que a estratégia foi expor divergências, reorganizar a comunicação e construir uma convivência menos conflituosa.
"O que a gente quer é uma construção agora do diálogo. A gente entende que é o diálogo que constrói, e não uma confusão e não a briga", disse.
Abertura do jogo
Questionado sobre a fórmula para reunir um número maior de vereadores em torno da prefeita, o parlamentar atribuiu o movimento à abertura de conversa e ao reconhecimento de que o grupo ainda terá três anos de convivência política pela frente.
"A fórmula foi abrir o jogo, falar a verdade, construir, demonstrar que a gente tem ainda três anos pela frente e que a união constrói. Quem ganha com isso é a população", declarou.
O encontro também chamou atenção porque contrasta com o cenário vivido pela prefeita desde o começo da gestão, quando a dificuldade de articulação política e a presença reduzida de apoiadores na Câmara eram alvos frequentes de comentários nos bastidores. Agora, ao conseguir reunir 14 vereadores, Moretti tenta passar a mensagem de que há espaço para recomposição e ampliação da interlocução com o Legislativo.
Bruno Rios afirmou que a ampliação da conversa partiu da percepção, dentro da própria gestão, de que era necessário estreitar a relação com os vereadores.
"A prefeita Flávia juntamente com o secretariado, entenderam a necessidade de ampliar a discussão, melhorar a conversa com os colegas vereadores. Isso está sendo feito a todo momento. O que a gente quer é o bom diálogo, a boa conversa para que a gente possa construir a nossa cidade de Várzea Grande melhor", afirmou.
Mesa diretora e PCCS
Durante a entrevista, o vereador negou que o encontro tenha tratado da mesa diretora da Câmara. "Não, em momento algum", respondeu.
Sobre o projeto do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), Bruno Rios disse que não há falta de interesse dos vereadores em votar a proposta, mas admitiu que o texto ainda enfrenta questionamentos nas comissões e entre representantes das categorias.
"De forma alguma. Os vereadores estão prontos para votar. Existe ainda algumas anuências que as comissões estão colocando em xeque", disse.
Segundo ele, a discussão segue aberta com os servidores para evitar que categorias fiquem de fora. "Estamos ouvindo as classes dos servidores. Tem alguns apontamentos e a gente está fazendo construção. A ideia é beneficiar todos e não deixar ninguém de fora."
Ao ser perguntado sobre as reclamações de vereadores de que projetos enviados pela Prefeitura chegam à Câmara com falhas e inconsistências, o líder da prefeita minimizou as críticas e afirmou que há diferentes leituras sobre as propostas encaminhadas pelo Executivo.
"Acredito que não. Cada um tem uma forma de ver um projeto de lei. Acontece que é o seguinte: são muitos pajés para poucos índios", declarou.
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