Lúdio denuncia aumento do combustível e cobra apuração sobre distribuidoras Deputado afirma que aumento no Estado não acompanha reajustes da Petrobras
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) criticou, na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), durante sessão ordinária dessa quarta-feira (25.03), o aumento no preço dos combustíveis no Estado e cobrou investigação sobre possível prática abusiva por parte das distribuidoras.
Segundo o parlamentar, os dados apontam que o reajuste aplicado no diesel em Mato Grosso não tem relação direta com os valores praticados pela Petrobras, o que levanta suspeitas sobre a formação de preços no Estado. “O que foi trazido aqui é um quadro grave, que precisa ser investigado pelo Governo do Estado, pela Secretaria de Fazenda, pelo Procon e pela Polícia Civil. Nós estamos falando de um aumento muito acima do que foi praticado pela Petrobras”, afirmou.
Lúdio detalhou que, conforme notas fiscais analisadas, o litro do óleo diesel vendido por distribuidoras em Mato Grosso passou de R$ 5,49, no dia 28 de fevereiro, para R$ 7,13 em 17 de março — um aumento de R$ 1,64 no período.
“E o preço do óleo diesel da Petrobras não sofreu aumento nesse intervalo. Só depois houve um reajuste de cerca de 40 centavos, que ainda foi parcialmente compensado pela isenção de tributos federais. Ou seja, o aumento real da Petrobras foi de poucos centavos, enquanto nas distribuidoras passou de R$ 1,50”, destacou.
O deputado afirmou que a diferença não pode ser atribuída ao Governo Federal nem ao Governo do Estado. “O posto de combustível repassa o preço que compra. Então, quando chega mais caro na distribuidora, isso vai direto para a bomba. A pergunta é: por que as distribuidoras aumentaram tanto? Onde está essa diferença?”, questionou.
Lúdio também chamou atenção para os impactos econômicos. “Um trabalhador que abastecia uma carreta com cerca de R$ 2 mil, hoje precisa de quase R$ 3 mil. Esse custo não está na Petrobras, não está no Governo Federal e nem no Governo do Estado. Está nas distribuidoras, e isso precisa ser explicado”, disse.
Diante do cenário, o parlamentar defendeu atuação imediata dos órgãos de fiscalização. “O Procon precisa ir às distribuidoras e solicitar as notas de compra da Petrobras, comparar com as notas de venda para os postos e verificar essa diferença. Nós vamos requerer, em caráter de urgência, que a Secretaria de Fazenda, o Procon e a Polícia Civil investiguem essa situação”, afirmou.
Durante a mesma sessão, o deputado estadual Cláudio Sena (PSDB) também se manifestou sobre o tema e reforçou o debate, ao afirmar que os postos de combustíveis não são responsáveis pela alta nos preços. Empresário do setor, ele afirmou que o aumento repassado pelas distribuidoras é superior ao reajuste aplicado pela Petrobras.
“Do dia 28 de fevereiro até ontem, a Petrobras teve aumento de apenas 40 centavos. Mas as distribuidoras em Mato Grosso subiram para os postos R$ 1,80. Essa conta não fecha”, disse Sena, ao defender maior fiscalização sobre as distribuidoras.
O parlamentar ainda cobrou que os órgãos de defesa do consumidor ampliem a fiscalização para além dos postos. “O Procon foi aos postos pedir notas, e isso é correto. Mas precisa ir também às distribuidoras para verificar onde está o aumento”, afirmou.