Governo Bolsonaro mudou normas e favoreceu produto do Master alvo de investigação no INSS Governo Bolsonaro abriu caminho para crédito hoje sob suspeita

Global News Space 06/04/2026 14:39

Alterações nas regras do crédito consignado feitas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abriram caminho para a rápida expansão de um produto do Banco Master que hoje está sob suspeita.

Documentos obtidos pelo jornalista Vinicius Sassine, da Folha de S.Paulo, mostram que uma mudança normativa foi publicada apenas 16 dias após o banco solicitar autorização para operar o chamado “cartão consignado de benefício”, base do produto conhecido como Credcesta.

Criado inicialmente para servidores públicos, o Credcesta foi posteriormente ampliado para aposentados e pensionistas após novas regras editadas pelo INSS. Com isso, o número de contratos saltou de cerca de 105 mil, em 2022, para 2,75 milhões em 2024, segundo dados do instituto.

O produto foi levado ao banco pelo empresário Augusto Lima, que depois se tornou sócio de Daniel Vorcaro. A modalidade combina crédito consignado com serviços adicionais, como descontos em farmácias e assistência funeral, e se tornou central nas operações da instituição entre 2022 e 2025.

A primeira mudança nas regras ocorreu em março de 2022, autorizando o uso do cartão consignado de benefício, ainda sem regulamentação detalhada. Em junho daquele ano, após solicitação do banco, o INSS publicou nova instrução normativa com regras mais específicas, permitindo, na prática, a operação do modelo.

Em julho de 2022, um aditivo incluiu o produto em acordo de cooperação com o INSS, consolidando a entrada do banco no segmento e impulsionando sua expansão.

Apesar do crescimento, o modelo passou a ser questionado. A atual gestão do INSS aponta possíveis irregularidades, como cobrança de juros sobre juros e falhas na formalização dos contratos. O acordo com o Banco Master, inclusive, não foi renovado.

O caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal, que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo as investigações, o ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira — que posteriormente adotou o nome Ahmed Mohamad Oliveira — teria atuado de forma estratégica no esquema.

Procurado, o Banco Master afirmou, por meio da defesa de Vorcaro, que seguiu todas as normas estabelecidas pelo INSS. Já o instituto não respondeu aos questionamentos recentes, e a defesa do ex-gestor não foi localizada.