PT propõe fim da reforma trabalhista e regras para aplicativos Documento que guiará campanha de Lula
A poucos meses da largada definitiva para a disputa eleitoral de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu ir além de promessas tradicionais e apresentou um documento que mistura autocrítica, propostas estruturais e embates diretos com instituições e potências internacionais.
O programa partidário que vai nortear a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será oficialmente apresentado na próxima sexta-feira (24), durante o 8º Congresso Nacional da legenda, em Brasília — evento que reúne dirigentes e militantes para definir os rumos políticos do partido .
Diferente de um plano de governo tradicional, o documento não traz promessas diretas ao eleitor. Em vez disso, aposta em diretrizes ideológicas e provocações internas, com perguntas direcionadas à militância e linhas gerais de atuação.
Entre os pontos mais sensíveis, o PT propõe a criação de códigos de ética e mecanismos de “autocorreção” nas cortes superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Já para as Forças Armadas, o texto defende subordinação plena ao poder civil, além da aplicação das recomendações da Comissão Nacional da Verdade e mudanças na formação militar.
Na área econômica, o partido apresenta uma visão crítica ao sistema financeiro, classificando a dívida pública como mecanismo de transferência de renda para o setor bancário.
Entre as propostas estão: juros abaixo de 10%; “democratização” do Banco Central; revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal; e taxação ou proibição de apostas online (bets).
O documento também reforça uma agenda trabalhista forte, com: fim da escala 6x1 sem redução salarial; revogação da reforma trabalhista de 2017; e regulamentação de trabalhadores de aplicativos.
Segurança
Na segurança pública, o partido propõe mudanças estruturais, como: criação de um Ministério da Segurança Pública; implantação de um Sistema Único de Segurança; uso obrigatório de câmeras corporais por agentes; e superação do modelo de “guerra às drogas”.
No cenário internacional, o programa adota tom crítico à política do ex-presidente Donald Trump na América Latina e defende o fim do embargo a Cuba.
Também propõe: fortalecimento do BRICS; uso de moedas locais no comércio internacional; e liderança brasileira na reforma da ONU.
Reforma política
O PT defende ainda mudanças profundas no sistema político, como: voto em lista com paridade de gênero; orçamento participativo nacional; fim das emendas impositivas; e ampliação de mecanismos de democracia direta.
Em um dos trechos mais incomuns, o documento faz uma autocrítica ao reconhecer fragilidades do próprio partido, como: enfraquecimento dos sindicatos; crescimento da influência evangélica no eleitorado; e impacto das redes sociais na organização política.