O NÃO NOSSO DE CADA DIA, O veneno da polarização

Global News Space 27/04/2026 15:34

O NÃO NOSSO DE CADA DIA
O veneno da polarização

Uma coisa sempre me chama atenção: a expectativa silenciosa que as pessoas impõem umas às outras.

Se sou seu amigo, tenho que dizer sim.
Se sou seu marido, tenho que concordar.
Se sou pai, tenho que entregar sempre mais.

E assim seguimos, como se o mundo fosse sustentado por um grande “sim”. 

Mas não é.

E nunca foi.

Essa lógica cria pessoas frágeis. Gente que desmorona diante de um simples “não”.
Seres que não suportam frustração porque foram condicionados a viver sob aprovação constante.

Enquanto isso, quem diz “sim” para tudo… vai se esgotando.

Cansado. Vazio. Desconectado de si.

Porque quem vive para agradar deixa de existir.

E aqui está o ponto que incomoda: nunca foi sobre o outro.

É sobre você.

Sobre a sua incapacidade de sustentar quem você é quando isso desagrada alguém.

Mesmo que todos estejam indo para o norte, é preciso ter coragem de seguir para o sul.

Se essa for a sua verdade.

E não, isso não é teimosia.

É integridade.

Errar faz parte. Mudar também.
Mas se dobrar por pressão, é se abandonar.

E isso cobra um preço alto.

Às vezes, irreversível.

Nos últimos anos, essa fragilidade encontrou um combustível perfeito: a polarização.

Discordar virou romper.
Pensar diferente virou ataque.

Amizades foram descartadas.
Famílias se fragmentaram.
O “eu tenho razão” passou a valer mais do que qualquer vínculo.

E o mais perigoso?

Todo mundo acha que está certo.

Vivemos cercados por certezas rasas, repetidas por gente que não parou para pensar no que está defendendo.

Papagaios convictos.

Vivemos em alerta constante… com medo de sermos colocados do lado errado.

Do “eles”.

E nesse cenário, o diálogo morreu.

Foi substituído por imposição.

Criamos, sem perceber, a ditadura do “sim”.

Sim para evitar conflito.
Sim para não ser rejeitado.
Sim para continuar pertencendo.

Mas esse pertencimento tem um custo:

Você.

No fim do mês, ninguém paga suas contas.
Ninguém assume suas escolhas.
Ninguém vive a sua vida.

Então por que essa necessidade desesperada de aprovação?

Eu fiz a minha escolha.

Não.
Não.
E quantos “nãos” forem necessários.

Porque quem precisa da validação constante dos outros ainda não aprendeu a sustentar a própria existência.

Então, faça-me um favor:

Se for para reclamar, atacar, rotular ou repetir discursos prontos…

Não me chame.

 

 

 

Luiz Fernando Fernandes é jornalista em Cuiabá, terapeuta holístico, palestrante e criador do Protocolo do Lobo. 

@luizfernandofernandesmt