ação gera debate Seduc levou alunos a emitir título e secretário virou pré-candidato Seduc mobilizou alunos e secretário virou pré-candidato
A mobilização de milhares de estudantes da rede estadual para emissão do título eleitoral em Mato Grosso, apresentada como ação de incentivo à cidadania, passou a gerar questionamentos após o então secretário de Educação do Estado, Alan Porto, deixar o cargo 50 dias depois para se lançar como pré-candidato a deputado estadual.
O Acordo de Cooperação Técnica nº 01/2026 foi firmado em 9 de fevereiro entre a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), presidido pela desembargadora Serly Marcondes Alves.
A iniciativa previa viabilizar a emissão do título eleitoral para cerca de 157 mil estudantes da rede estadual de ensino. À época, a justificativa apresentada pelos gestores era ampliar a participação da juventude no processo democrático, com foco nas eleições gerais de 2026.
A ação buscava incentivar o engajamento político de jovens entre 15 e 17 anos, faixa etária em que o voto é facultativo, promovendo cidadania e protagonismo juvenil.
Pelo acordo, caberia à Seduc-MT a organização da logística de transporte dos estudantes até cartórios eleitorais e postos de atendimento, com disponibilização de ônibus, micro-ônibus e vans. Profissionais da educação também seriam responsáveis por acompanhar os alunos durante o trajeto e permanência nos locais de atendimento.
Já o TRE-MT ficou responsável pela estrutura de atendimento, incluindo equipamentos para coleta biométrica e emissão dos títulos, além da definição dos cronogramas em conjunto com as escolas. Também estavam previstas ações educativas sobre a importância do voto, o funcionamento da urna eletrônica e o papel da Justiça Eleitoral.
O ciclo de ações de alistamento, revisão e regularização eleitoral foi encerrado na última quarta-feira (06.05).
Entretanto, conforme apurado , há relatos de que, em alguns casos, estudantes teriam sido levados para realizar o alistamento eleitoral sem autorização dos pais ou responsáveis, o que levanta questionamentos sobre a condução da iniciativa.
A situação ganhou ainda mais repercussão após Alan Porto deixar o comando da Seduc em 31 de março — pouco mais de 50 dias após a assinatura do acordo. Desde então, ele passou a se dedicar à articulação de sua pré-candidatura a deputado estadual nas eleições de outubro.
A proximidade entre a execução do programa e a movimentação política do ex-secretário passou a gerar debates nos bastidores sobre possíveis reflexos da ação no cenário eleitoral.
O que deveria ser um encontro voltado ao protagonismo juvenil e à formação cidadã acabou cercado por um incômodo questionamento nos bastidores políticos, até que ponto um evento institucional da Secretaria de Estado de Educação pode servir de vitrine para nomes colocados como pré-candidatos nas eleições de 2026?
A presença do secretário de Educação, Alan Porto, que na ocasião já era apontado como pré-candidato a deputado estadual, e da então primeira-dama, Virginia Mendes, também cotada para disputar uma vaga de deputada federal, ampliou os questionamentos sobre o caráter institucional do evento. Ambos participaram da programação, e Virginia chegou a ser homenageada com uma apresentação feita por uma estudante, em um momento que chamou atenção nos bastidores políticos pela exposição em um encontro promovido pela rede estadual de ensino e com recursos públicos.
Até o momento, não há manifestação oficial sobre eventual irregularidade no acordo ou nas atividades realizadas.
Outro Lado
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) informou que a mobilização para incentivar estudantes a emitirem o primeiro título de eleitor integra uma ação nacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
A pasta acrescentou que a iniciativa foi estruturada em cooperação com a Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT) e conta com o apoio de diversas instituições, além de incluir ações de divulgação nas redes sociais e um desafio voltado aos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), com premiação aos grupos com melhor desempenho no engajamento de novos eleitores.
O
não conseguiu contato com o ex-secretário Alan Porto, mas o espaço segue aberto para manifestação.
Nota Seduc
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) esclarece que:
1. A mobilização para incentivar estudantes de 16 e 17 anos a emitirem o primeiro título de eleitor faz parte de uma ação nacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em parceria com o UNICEF.
2. Em Mato Grosso, a iniciativa foi fortalecida pelo Acordo de Cooperação Técnica nº 01/2026, firmado em fevereiro entre o TRE-MT e a Seduc-MT, com o objetivo de viabilizar a emissão de títulos eleitorais por estudantes da rede estadual. A ação também está alinhada ao programa Estudante: Cidadão do Futuro, desenvolvido pela CGE-MT, e conta com apoio de instituições como IFMT, Conselho Estadual de Educação, Conselho Estadual de Juventude e outras entidades governamentais e não governamentais.
3. Pelo acordo, o TRE-MT é responsável por estruturar o atendimento, disponibilizar equipamentos para coleta biométrica e emissão dos títulos, além de definir os cronogramas com as escolas. À Seduc-MT cabe viabilizar o transporte e supervisionar a ida dos estudantes aos locais de atendimento, mediante solicitação das unidades interessadas.
4. A parceria também incluiu campanha nas redes sociais durante abril e até 6 de maio, data de encerramento do cadastro eleitoral. Entre as ações está o desafio voltado aos Núcleos de Cidadania do Adolescente (NUCAs), presentes em mais de 2.300 municípios, incluindo cidades de Mato Grosso. Os coletivos com melhores resultados proporcionais no engajamento de novos eleitores e na produção de conteúdos informativos serão premiados com visita técnica à sede do TSE, em Brasília.
