Hospital Regional Governador reconhece falhas na saúde e entrega hospital a consórcio Hospital Regional de Sinop terá gestão de consórcio

Global News Space 26/05/2026 14:19

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, afirmou nessa segunda-feira (25.05), no Palácio Paiaguás, que o Estado “não é um bom gestor de operações complexas” ao justificar a transferência da administração do Hospital Regional Jorge de Abreu, em Sinop (a 503 km de Cuiabá), para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires (CPSVTP), formado por prefeitos de 16 municípios do norte do Estado.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva em meio ao anúncio oficial da mudança de gestão da unidade hospitalar, que ocorre sob questionamentos judiciais sobre a capacidade técnica do consórcio para administrar o hospital.

“Nós já falamos algumas vezes que o Estado não é um bom gestor de operações complexas. Gestão hospitalar é uma operação complexa”, afirmou Pivetta. Segundo ele, o governo busca “parceiros confiáveis” para assumir unidades estratégicas da saúde pública.

Segundo o governo, a transição da gestão do Hospital Regional de Sinop deve ocorrer em prazo de 60 a 120 dias, sem interrupção dos atendimentos.

O plano prevê ampliação da estrutura hospitalar, com aumento do número de leitos de 98 para 158, além da expansão de serviços especializados, incluindo urologia, cirurgia pediátrica e cirurgia oncológica.

Pivetta afirmou que o modelo de gestão compartilhada fortalece o chamado “controle social”, já que o consórcio é formado por prefeitos e secretários municipais de Saúde que atuam diretamente na região atendida pela unidade. 

“O sentimento de pertencimento aumenta. O conselho de administração é formado por 16 prefeitos. Nós estamos entregando o hospital para quem realmente tem relação com ele, que são os cidadãos desses municípios”, declarou.

A transferência, porém, virou alvo de contestação judicial. Uma ação protocolada na Justiça de Mato Grosso questiona os critérios adotados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) para entregar a gestão ao consórcio e levanta dúvidas sobre a experiência da entidade na administração hospitalar.

O processo também aponta divergências entre o modelo adotado em Sinop e o Chamamento Público nº 003/2026 da própria SES, lançado para definir a gestão do Hospital Estadual do Alto Tapajós. No edital, o governo exige experiência hospitalar comprovada e proíbe a participação de consórcios.

Questionado sobre a ação, Pivetta evitou aprofundar o tema, mas afirmou que o governo manterá a decisão.

“Tem adversários dessa iniciativa que entraram na Justiça para tentar segurar esse contrato, mas nós vamos seguir em frente porque os 16 municípios decidiram por unanimidade assumir o hospital”, disse.

O governador também rebateu críticas de que a gestão estaria sendo terceirizada. “Nós não estamos transferindo para a iniciativa privada. É público com público. Estamos passando a gestão para quem pode fazer bem feito”, argumentou.