Wilson defende industrialização e alerta: MT não pode viver só de commodities Para Wilson, o momento exige clareza sobre os caminhos a serem seguidos para evitar retrocessos
Mato Grosso vive uma fase decisiva de transição econômica e precisa avançar rapidamente para a industrialização para não perder competitividade no cenário nacional. O alerta é do deputado estadual Wilson Santos (PSD), durante entrevista à imprensa na manhã desta terça-feira (14.04), no Fórum Economia e Desenvolvimento Institucional.
Segundo o parlamentar, o Estado já deixou de ser exclusivamente primário, mas ainda não atingiu o nível necessário de industrialização, o que exige planejamento e definição de estratégias para os próximos anos.
“Mato Grosso está numa fase de transição da sua economia, de uma economia primária para uma transição rumo à agroindustrialização de tudo isso. Não somos mais uma economia exclusivamente primária, mas ainda não atingimos o patamar da industrialização”, afirmou.
O evento reúne lideranças nacionais com o objetivo de discutir o ambiente de negócios e o futuro econômico do Estado. Para Wilson, o momento exige clareza sobre os caminhos a serem seguidos para evitar retrocessos. “Este seminário tem por objetivo trazer pessoas que têm uma visão: qual seria o rumo ideal para Mato Grosso, quais são as etapas para prosseguir. Porque nós podemos nos perder nessa caminhada”, pontuou.
O deputado destacou que a dependência de commodities limita a geração de emprego e renda, reforçando a necessidade de avançar na cadeia produtiva. “Mato Grosso não pode ficar eternamente um produtor de commodities. Isso gera menos emprego, gera menos capital. Nós temos que avançar para novas etapas do processo econômico.”
Apesar de reconhecer avanços em setores como etanol de milho, etanol de cana e processamento de carnes, ele avalia que ainda é necessário consolidar a base industrial. “O próximo passo é a indústria. Já temos bons exemplos, mas precisamos consolidar esse processo industrial em Mato Grosso e, depois, ir além, ultrapassar o modelo industrial para que o Estado não perca competição”, disse.
Questionado sobre a saída de empresas para outros estados e até para o exterior — motivada por entraves como energia cara, logística precária e infraestrutura limitada —, Wilson afirmou que Mato Grosso já reúne condições estruturais para avançar.
“Temos matéria-prima abundante, energia disponível, mão de obra que pode ser capacitada pelas universidades e pelas FATECs. Temos também linhas de financiamento muito boas, seja do FCO, da Sudam ou do próprio BNDES.”
Apesar disso, ele aponta que o principal obstáculo é político. “O que eu sinto é que falta vontade política para consolidar esse modelo industrial”, criticou.
Wilson também alertou para os impactos da reforma tributária, que deve extinguir os incentivos fiscais até 2033, reduzindo a capacidade de atração de investimentos. “Daqui a seis, sete anos, Mato Grosso — e nenhum outro estado — não terá mais acesso a políticas de incentivos fiscais. Por isso, este debate é tão importante para definir os caminhos que o Estado deverá trilhar.”
Outro ponto levantado pelo deputado foi a possível extinção do Fethab 2, anunciada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), prevista para entrar em vigor a partir de 2027.
Para ele, a medida exige cautela, principalmente diante do cenário econômico atual. “Isso é muito preocupante. O Estado não tem como abrir mão de receitas. O campo está atravessando uma crise, as commodities perderam preço, e pode haver queda de arrecadação.”
Wilson ressaltou ainda que a legislação exige compensação financeira sempre que há renúncia de receita. “A legislação não permite que você anule uma alíquota de arrecadação sem apresentar algo que esteja, pelo menos, no mesmo patamar. É preciso deixar claro de onde virão esses recursos para compensar o fim do Fethab 2.”