Júlio acusa Abilio de agir por interesse eleitoral e diz que prefeito ignora crise em Cuiabá Júlio aponta politicagem, cobra gestão e cita crise na saúde de Cuiabá
O deputado estadual Júlio Campos acusou o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, de agir por interesse eleitoral, fazer “politicagem” e deixar em segundo plano os problemas estruturais da Capital, ao comentar as críticas feitas pelo gestor sobre o projeto que redefiniu os limites territoriais envolvendo o Hospital Universitário Júlio Müller.
“Mas isso aí é coisa de política. Ele tem interesse na eleição da vereadora Samantha Íris (PL), que é sua esposa, para vir compor a Assembleia, quando ele acha que tem que criticar os atuais deputados”, afirmou o parlamentar, em entrevista à imprensa na manhã desta quarta-feira (15.04).
A declaração ocorreu após o prefeito sustentar que deputados estariam “surrupiando” Cuiabá ao aprovarem proposta que manteve o hospital fora dos limites territoriais do município. Para Júlio Campos, no entanto, a crítica não foi acompanhada de diálogo institucional e revela, na avaliação dele, uma antecipação do debate eleitoral. Leia matéria relacionada - Abilio propõe “troca” a Max: “Tapo o buraco e você devolve o Hospital Júlio Müller”
Questionado diretamente se a postura do prefeito já configura movimento político mirando o próximo pleito, o deputado foi categórico ao afirmar que sim. “Com certeza. Você conhece o Abilio. Vive fazendo política o dia inteiro”, declarou, ao sugerir que o chefe do Executivo municipal tem mantido atuação mais voltada ao embate político do que à gestão administrativa.
Na sequência, Júlio ampliou o tom das críticas ao relacionar a agenda política do prefeito com problemas concretos enfrentados pela população cuiabana. Segundo ele, enquanto o gestor participa de eventos e faz críticas ao Governo Federal, a Capital enfrenta deterioração em serviços básicos.
“Ele foi há poucos dias a Goiânia, vai lá criticar o Governo Federal, falar de picanha, quando Cuiabá está esburacada, cheia de mato, a saúde pública um caos”, afirmou.
O parlamentar também utilizou como exemplo a situação das unidades de saúde, apontando que a precariedade tem sido exposta de forma recorrente pela imprensa local. “A TV tem mostrado diariamente o mal-estar nas unidades de saúde de Cuiabá, as UPAs com cadeira rasgada, sem equipamento, sem remédio”, disse, reforçando o argumento de que a gestão municipal enfrenta dificuldades operacionais.
Em tom ainda mais incisivo, Júlio Campos direcionou um recado direto ao prefeito, cobrando mudança de postura e foco na administração da cidade. “Então, o Abilio tem que parar. Você já não é mais deputado federal, você já não é vereador de Cuiabá, você é prefeito municipal. Você tem que ser gestor e cuidar da melhoria do serviço público da Capital”, disparou.
Além das críticas à condução administrativa, o deputado também classificou como precipitada e desproporcional a reação de Abilio à decisão da Assembleia Legislativa. Segundo ele, o tema poderia ter sido discutido previamente entre os Poderes, inclusive com possibilidade de ajustes pontuais na delimitação territorial.
“Isso aí é apenas um charme. Eu acredito que ele foi um pouco injusto e infeliz em fazer essa crítica, sem vir aqui discutir conosco. Até poderia ter mudado o perímetro, tirando só um pedacinho do hospital para Cuiabá, mas antes disso ele já vai criticar”, afirmou.
A proposta questionada pelo prefeito é de autoria do deputado Wilson Santos e trata da redefinição de limites territoriais entre municípios, incluindo áreas de Santo Antônio de Leverger. No novo traçado, o Hospital Universitário Júlio Müller passou a integrar o território do município vizinho, o que gerou reação por parte da Prefeitura de Cuiabá.
Júlio Campos, por sua vez, defendeu a medida ao afirmar que a localização geográfica da unidade não interfere na prestação do serviço, uma vez que o hospital possui caráter regional e atende pacientes de todo o Estado de Mato Grosso. Segundo ele, a gestão e o financiamento da unidade não estão vinculados ao município.
O parlamentar ressaltou ainda que o hospital é mantido por estrutura ligada à universidade e ao Ministério da Educação, o que, na avaliação dele, afasta qualquer impacto direto da mudança territorial sobre o funcionamento da unidade ou sobre a população atendida.
Apesar do embate político e das críticas contundentes, Júlio Campos afirmou que a Assembleia Legislativa permanece aberta ao diálogo institucional e não descartou a possibilidade de revisão pontual do perímetro, caso haja justificativa técnica, jurídica ou administrativa por parte da universidade responsável pela unidade hospitalar.